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Nas palavras do idealizador de Canarana – MT, Norberto Schwantes, a terra em meio ao cerrado mato-grossense era, já no início da década de 70, abençoada. Para ele, “terra que produz flores, também produzirá mel”. Passados quase meio século desde o sonho, hoje, o pastor gaúcho ficaria surpreso que a mesma terra que produz flores também produz muitas outras culturas, inclusive, algumas exóticas, mas que aos poucos ganham espaço no município, como é o caso da pitaya.

Passando por uma estrada de terra nos arredores da zona urbana de Canarana, chega-se à Chácara “Boas Novas”. Ali, a propriedade de quatro hectares parece ser mais uma entre meio à dezenas que compõem a região. Mas a chácara faz jus ao seu nome e logo que se passa pela porteira na entrada, um pensamento de “tem algo diferente aqui” toma a mente dos visitantes.

 

À primeira vista, a organização e o capricho no zelo pelos animais chamam a atenção, mas é o entrelaçar de cactos e o vermelho das frutas da pitaya que sobressaltam na vista. A fruta, natural da América Central e México, nasce cactos epífitos, é cultivada na China, em Israel, e mais recentemente, de forma escalonada, no Brasil. No Mato Grosso, ainda são poucas as propriedades que plantam o cactos e no Médio Araguaia o cultivo é pioneiro.

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A proprietária das “Boas Novas” é a professora aposentada Maria Rita Mariotto. Rita adquiriu a propriedade e começou um plano de investimento que hoje possibilita ter de tudo um pouco. Pato, galinha, codorna, vaca de leite, carneiro, porco, laranja, manga, abacaxi, amora. A pitaya começou a fazer parte desse plano cinco anos atrás, com as primeiras mudas plantadas. Rita, contudo, salienta que já ensaiava a produção três anos antes, quando, numa viagem para o Estado de São Paulo, se encantou com a beleza e o sabor da fruta.

“Então eu fiz um investimento bem alto. Pois precisa de palanques e toda uma estrutura. Você fala assim: é um cactos! Mas ela também é uma planta sensível”, evidencia a produtora. As mudas de cactos plantadas possuem centímetros de comprimento e em dois anos e meio de muito sol, alcançam dezenas de galhos e atingem quase três metros de altura. A polinização das flores da planta é feita por abelhas e morcegos. Na chácara, Rita consegue ter uma safra por ano, num período de colheita de 4 a 6 meses.

As variedades das frutas plantadas são das mais comuns até as mais raras. As mais comercializadas são a do fruto vermelho, de polpa branca ou roxa. “Aqui eu também plantei as mudas novas da Black Africana, da Orange, da Amarela Israelense, da Chilena e da Gigante”, diz a produtora orgulhosa da diversificação. Por causa das mudas novas, Rita acredita que esta safra deve ser a mais produtiva que já teve. Na safra passada ela colheu meia tonelada de pitaya.

A pitaya é fonte de Vitamina A, rica em fibras e minerais. As vermelhas são ricas em ferro e as amarelas em zinco. Possuem quantidades significativas de antioxidantes e em algumas partes do mundo, seu grão, minúsculo, é usado por diabéticos como substituto do arroz como fonte de fibras. A riqueza da fruta, aliada ao sabor, faz com que a procura aumente cada vez mais. “Tem muita gente que não conhece e não sabe o que é a pitaya. Mas tem mercado! Ano passado eu vendi, além de Canarana, para Água Boa – MT e Querência – MT”, explica.

Rita, com ajuda de alguns funcionários, já começou a colheita das “Boas Novas” e esse ano comercializa o fruto à R$ 25,00/Kg. Mas detalhe; Já tem lista de espera pelas pitayas. “Devido às vendas do ano passado, eu tenho uma lista enorme de compradores”, comemora a produtora, que na terra em que tudo se planta dá, fica feliz ao confirmar: “Deus abençoou para que conseguisse comprar uma chácara do jeito que eu pedi. E eu te digo, essa é realmente uma terra abençoada”.

Por Lavousier Machry, para a AGRNotícias. Fotos: Rafael Govari.

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