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Um milagre é algo que parece impossível, mas acontece mesmo assim! E implementar a agricultura em determinadas áreas parecia impossível. Só que não. Com demanda por comida em alta no mundo, preços elevados dos grãos, escassez de terras em regiões com agricultura já consolidada e surgimento de novas tecnologias, na região da Milagrosa no interior de Canarana-MT, grandes áreas com solos mais arenosos ocupados até então com pastagens, começam a ser convertidos em lavouras, na nova fronteira agrícola, que possui um potencial de mais de 80 mil hectares para serem incorporados nos próximos anos à agricultura.

Vila da Milagrosa; Foto – AGR.

Milagrosa é uma pequena vila, ao lado do rio Coronel Vanick, que serve de ponto de apoio às fazendas daquela região e aos pesqueiros na beira do rio que enchem aos finais de semana. Um dos produtores que está investindo por lá é José Renato, do Grupo Teles. Eles arrendaram três fazendas e vão plantar na próxima safra 3.350 hectares com soja. No último mês de janeiro, converteram 1.800 hectares de pastagens em lavouras na fazenda MR e semearam gergelim, sendo a primeira safra na nova área.

Para José Renato, a região tem muitas qualidades, como bom nível pluviométrico e boa topografia. “A Milagrosa tem um volume pluviométrico acima de outras regiões de Canarana. Também possui excelente topografia. Estamos acreditando muito”, disse. Por ter solos de uma textura mais leve, com média de 20% de argila, Renato falou que será preciso investir em tecnologia e em adubação. “Vamos colocar um volume grande de calcário e adubação, além de fazer uma inoculação acima do ideal, que é a parte biológica do solo”, acrescenta.

Para dar suporte a esse crescimento, a Secretaria Municipal de Obras está recuperando estradas e pontes. Conforme José Renato, esse trabalho está animando os produtores a investir. “Essa expansão está sendo bem calçada pela Prefeitura com estradas e pontes. Graças a isso, a distância da nossa fazenda até a cidade vai encurtar em 50 km, porque antes tínhamos que fazer uma volta pela fazenda Araribá”, complementa.

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A secretária de Obras de Canarana, Eliane Felten, que também já foi secretária de Agricultura, disse que as primeiras lavouras e estradas do município avançaram nas regiões com as melhores terras. “As regiões produtoras estão ao redor de importantes rodovias, como a MT-109, MT-110, MT-326, MT-414 (Garapú), MT-020 (Tanguro e Culuene) e BR-158 (Matinha e Serra Dourada). Lembro que há 18 anos quase não tinha soja na MT-110 e hoje é o principal eixo de produção do município, crescimento que foi acompanhado com investimento naquela estrada. Agora a bola da vez é a Milagrosa, que eu considero a última fronteira agrícola de Canarana. E cabe ao município investir para dar suporte a esse crescimento”, relata.

A Secretaria de Obras está levantando partes da MT-414 no trecho entre o Garapú e a Milagrosa. “É uma estrada bem complicada, não tem cascalho por perto. Então estamos jogando terra do leito para a estrada, molhando, compactando e patrolando. Vamos aguardar as chuvas e ver o que dá problema para então jogar cascalho nesses pontos. Também vamos recuperar totalmente a maior ponte do município, sobre o rio Vanick, que tem mais de 40 metros e é bem alta. Com isso vamos dar acesso entre a MT-414 com a RM-34 e a RM-11, numa volta de 150 km, que acredito ter mais de 80 mil hectares de pastagens que podem virar lavouras nos próximos anos”, aposta Elaine.

Para o engenheiro agrônomo Pércio Cancian, hoje existe tecnologia para a agricultura em terras arenosas e o investimento em irrigação tem sido uma solução. “Melhorou muito e temos tecnologia para fazer áreas arenosas produzir bem. Mas o que a gente está percebendo e vai acontecer cada vez mais aqui em Canarana, onde você tem disponibilidade de água próximo, é a irrigação. O caminho pode ser por aí. Então, ter solos arenosos passa não ser tão limitante assim”, disse Pércio.

Área de pastagem na região da Milagrosa; Foto – AGR.

Na última safra Canarana plantou 275 mil hectares com soja, mas deve chegar a 400 mil nos próximos anos. Para o produtor Rodrigo Reis, que também faz parte do Grupo Teles, mas planta em outra fazenda no Garapú, está acontecendo na Milagrosa o mesmo que ocorreu em Jataí-GO, cidade de onde ele veio. “Em Jataí as áreas boas foram todas ocupadas com agricultura e o trem foi expandindo para as áreas mais arenosas. É isso que está acontecendo aqui em Canarana. Tem mais risco do que em terras mais argilosas e vermelhas, mas com os preços e o mundo precisando de alimento, num futuro bem próximo a Milagrosa vai virar tudo lavoura”, acredita.

Por Rafael Govari para AGRNotícias.

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