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Cerca de 100 pessoas, entre produtores, agrônomos e empresários do setor, participaram na manhã desta terça-feira (29), em Canarana-MT, do Dia de Campo de Manejo e Aprimoramento da Cultura do Gergelim, que aconteceu na Meta Assessoria, uma realização do núcleo local da Aprosoja MT. O município é o maior produtor nacional do grão e semeou na atual safra mais de 50 mil hectares. Os participantes puderam acompanhar em campo, os ensaios das variedades K3, Trebol e Seda, plantadas com populações de três, seis e nove kg por hectare, que receberam duas diferentes adubações e foram semeadas em dois períodos, no início e no final de março.

Dia de Campo sobre o Gergelim em Canarana; Foto – AGR.

Conforme o vice-presidente Leste da Aprosoja, o produtor Diego Dallasta, a pesquisa sobre o gergelim atende a um anseio dos produtores de Canarana e da Região. “A gente fez um projeto, instalou um experimento em campo e hoje nós trouxemos os produtores aqui para analisar o visual do gergelim, conforme a quantidade de semente por hectare, a adubação e as diferentes variedades. Ainda nós não temos os resultados, visto que a colheita só vai começar daqui uns dias. Ai nós vamos passar os resultados, de forma científica para os produtores”, disse Diego, acrescentando que o conhecimento sobre a cultura ainda é pequeno e as pesquisas devem continuar e serem intensificadas nos próximos anos.

Uma prova da falta de informações sobre o gergelim é o que está ocorrendo na atual safra. Mesmo as lavouras que foram semeadas mais cedo e não sofreram com stress hídrico, estão apresentando baixa produtividade e não se sabe muito sobre os motivos. “Em conversa com os produtores, a grande maioria está colhendo menos. Bastante produtores que plantaram cedo, colheram pouco. Eu sei por mim, por exemplo, que já comecei a colher, colhemos metade do que o ano passado, entre 350 e 400 kg por hectare. Baixa produtividade”, confirma Dallasta, que afirma que o desenvolvimento inicial da lavoura estava bonito, mas da metade do ciclo pra frente as plantas não cresceram.

Dia de Campo sobre o Gergelim em Canarana; Foto – AGR.

O agrônomo e sócio proprietário da Meta Assessoria, que conduziu os ensaios, Diego Sichocki, disse que o produtor foi plantando o gergelim e aprendendo na prática, sem nenhuma pesquisa. “A gente tem visto que tem como explorar o potencial do material. Então, aqui, a gente vai ver qual a população de plantas é mais indicada pra aquele tipo de variedade em específico e com isso a gente consegue pesquisar o potencial de cada variedade, a resposta da adubação. Esses dados depois serão trilhados e compilados e isso vai gerar um relatório. A ideia é trazer mais retorno pro produtor rural, pra ele conseguir colher mais e extrair mais na área que antes ele colhia menos”, disse Sichocki.

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Conforme o agrônomo, os ensaios que visualmente apresentaram melhor rendimento até o momento foram os que receberam adubação de 100 kg por hectare. “O que a gente vê no olho é que o número de cápsulas está maior. Provavelmente isso interfere em peso de grão. Só o que a gente não pode é fazer adubações muito pesadas, porque ai tem problema de acabamento. Mas aqui a gente tem respostas positivas e vê que o gergelim está mais bonito mesmo”, disse, indicando, porém, que ainda há muito para ser pesquisado, em relação à fungicidas, inseticidas, plantas daninhas e outros manejos do gergelim. “Acredito que não avançamos nem 5% do que precisamos estudar sobre a cultura”, acrescentou.

Centro de Aprendizagem e Difusão

Jerusa Rech, gerente de Defesa Agrícola na Aprosoja MT; Foto – AGR.

Além desse primeiro dia de campo, a Aprosoja está com a intenção de implantar na região de Canarana um Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD), que poderá abranger uma área de mais de 70 hectares, para estudar as culturas plantadas na região, sendo as principais soja e milho, além dos pulses como o gergelim, em solos com silte e pedra que são caraterísticos aqui do Médio Araguaia. Jerusa Rech, gerente de Defesa Agrícola na Aprosoja MT, participou do Dia de Campo e falou dessa possibilidade. “Já tinha uma demanda antiga aqui da região pra gente trabalhar com essas áreas de pesquisa, essas áreas que tem o silte, que a gente sabe que é uma dinâmica bem diferente. Então a gente está analisando algumas áreas pra poder colocar aqui um centro de pesquisa da Aprosoja voltado pro produtor”, anunciou. O CAD demandaria de no mínimo 10 profissionais, entre pesquisadores e colaboradores.

Por AGRNotícias.

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