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A Fazenda Califórnia, uma propriedade da Agropecuária Leopoldino em Água Boa-MT, ajudou a desbravar o Vale do Araguaia mato-grossense e tornou-se referência na produção de carne bovina de qualidade para sua região e para todo o país. A terminação intensiva ajuda na expressão integral da genética do gado cruzado – Aberdeen Angus, Hereford e Simental Black -, que até exige mais comida, mas é eficiente na conversão do alimento em carcaça.

Mas um dos segredos do sucesso da propriedade do pecuarista Abel Leopoldino é que existe um responsável que guia o sistema produtivo da fazenda: o consumidor. “É o nosso cliente que vai sentar à mesa e experimentar um chorizo, um ancho e uma picanha diferenciados não só em maciez, mas em sabor. Nós precisamos falar em maciez, em sabor, em tamanho das peças, que a indústria possa estar adequada, que nós estejamos adequados com o nosso gado ao padrão industrial, que exige uma peça de um tamanho que o mercado quer. Nós precisamos estar atentos à necessidade do mercado, à exigência do mercado. Quem manda é o mercado. Nós temos é que (mirar) exatamente na finalidade que ele (consumidor) deseja e tentar fazer com que ele saia como o mais satisfeito de toda a cadeia”, disse o produtor em depoimento à reportagem da temporada da Rota do Boi gravada no Vale do Araguaia.

Abel recordou que o projeto teve início há pouco mais de 20 anos, com seu irmão, que havia se formado como agrônomo em Jaboticabal-SP, e desenhou um projeto de pecuária de corte voltado para o mercado de carne de qualidade, com um ciclo curto de produção em que as matrizes sempre estivessem bem nutridas para a concepção, para cuidar do bezerro ao pé e ainda estarem à altura para a reconcepção. “Tudo isso requer manejos diferentes, nutrições diferentes. […] Você aumenta o número de animais por área, então há uma pressão também na parte sanitária, tudo isso são atitudes que você tem que vir trazendo em conjunto. Você não pode falhar em nenhuma das etapas”, frisou Leopoldino.

A Fazenda Califórnia, que foi uma das desbravadoras do Vale do Araguaia, segue na vanguarda da atividade, mesclando a experiência seus fundadores com a inovação trazida pela nova geração, como é o caso de Ayrton Leopoldino Neto. “Depois eu entrei na faculdade, formei e vim para cá. A gente sai da faculdade com um monte de ideia nova, chega aqui bate de frente com o pessoal. Mas aí é questão de conversa, de família. É uma coisa que é gostosa de se fazer e é fácil porque todo mundo gosta do que faz, tanto eu, como o Abel. Então a discussão é sempre boa e é sempre pra melhorar. [… Não tem coisa melhor do que um serviço prazeroso com alta tecnologia, altos resultados, altos rendimentos, […] sempre agregando a tecnologia nova que vem vindo com a experiência. Acho que a fórmula está perfeita”, disse à equipe de reportagem do Giro do Boi.

Neto destacou que entre as inovações mais recentes da propriedade está a introdução da lavoura ao sistema de produção. “Nós começamos com agricultura. Isso a recria nossa deu um resultado extraordinário, tanto no acabamento das vacas de descarte ou quando esse animal vai pro cocho com uma arroba mais barata por vir da integração. A gente conseguiu um resultado muito melhor no final, na ponta do confinamento”, aprovou Ayrton.

O gado cruzado que vai ao cocho acaba transformando o reforço de boia da agricultura em carne, conforme apontou o médico veterinário Gustavo Ribeiro. Além dos cruzamentos com Angus e Hereford, mais recentemente a introdução do Simental Black reforçou o plantel da Fazenda Califórnia. “É uma raça que imprime mais carcaça, uma raça que adaptou muito bem ao Brasil. Nós já temos muitos animais sendo produzidos e está aqui um lote de animais com 20 meses, eles estão acima dos 620 kg. Nós vimos que deu muito certo, aqui especificamente neste lote são animais meio-sangue Simental preto em vaca Nelore, então o Nelore com Simental preto é um espetáculo. E ainda cabe carne, isso que a gente tem notado”, projetou.

“A gente tem um animal já desenvolvido que veio de um creep ao pé da vaca, que passou por uma nutrição para entrar em reprodução ou recria, no caso dos machos, para chegar no confinamento e passar de 90 a 100, 110, 115, 120 dias colocando uma carcaça de melhor qualidade. Isso tem um viés de buscar nichos de mercado que podem pagar um mais forte”, finalizou Abel Leopoldino.

Giro do Boi, Canal Rural.

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