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O Banco Bradesco, publicou na semana passada uma peça publicitária em vídeo, em que digitais influencers oferecem dicas de como reduzir a pegada de carbono, sendo uma delas, a ação de reduzir o consumo de carne e adotar a prática Segunda Sem Carne, como ficou conhecido o movimento. No vídeo, uma influenciadora diz: ” a criação de gado contribui para as emissão dos gases do efeito estufa”. A ação pegou em cheio a classe produtiva rural brasileira que, indignada com a mensagem passada, iniciou uma série de ações em réplica à instituição financeira. Produtores de todo o país programam movimentos para a próxima segunda-feira (03.01), bem como também no Vale do Araguaia mato-grossense.

A AGRNotícias conversou com representantes de classe do setor na região e acompanhou, no decorrer dos últimos dias a repercussão que o vídeo causou nas redes sociais. O Presidente do Sindicato Rural de Canarana – MT, Alex Wisch, explicou que esse tipo de peça publicitária não traz benefícios à ninguém. “Se isso se emplacasse, geraria um consumo menor de carne em torno de 13%. Ou seja, muitos correntistas do próprio banco, que tem parcelas de custeio e investimento pra pagar, que dependem dessas vendas de carne pra pagar esses empréstimos, não poderiam honrar com os compromissos junto ao banco”.

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O Presidente do Sindicato Rural de Água Boa – MT, Geraldo Delai, expressou que acredita que o banco “não se atentou pra importância do agro como seu cliente! Quando você sugestiona ficar um dia sem carne, inclusive, você não está falando só de pecuária, você engloba ai a suinicultura, a criação de carneiros, de frango, toda uma cadeia produtiva. Foi um tiro no pé”.

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Um tiro no pé que pode custar caro à instituição. Produtores em redes sociais, correntistas do banco, esboçaram que iniciaram a transferência de suas movimentações financeiras para outros bancos. Pelas redes sociais também, o água-boense Mauricio Cardozo Tonhá, proprietário da Estância Bahia Leilões, uma das maiores empresas do segmento, afirma que a ação viola os mais de 40 anos de relacionamento com o banco, e disse que em resposta ao ato que classificou como “insanidade”, retirou 100% da movimentação financeira que tinha com a insituição.

Imagem: Redes Sociais

O Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), em resposta à campanha, explicou que “os modelos de produção que utilizam pastagens produtivas para a criação de bovinos contribuem positivamente para o balanço de carbono, sequestrando como gasto desse gás que produção a pecuária emite. Dessa forma, podemos dizer seguramente que a pecuária brasileira já resolve seus problemas com carbono” o que refuta o argumento primário da peça publicitária. Já a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) pleiteia que o Bradesco faça uma campanha esclarecendo a importância do setor pecuarista brasileiro e que este adota, em sua imensa maioria, práticas sustentáveis.

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Segunda COM carne

Em ação proposta pela classe produtiva rural, churrascos estão sendo organizados em frente às agências do banco em várias cidades brasileiras no próximo dia 03 de janeiro. No Araguaia, já há mobilização confirmada em Água Boa, Canarana e Barra do Garças – MT. “Vamos ofertar mais de 500 espetinhos para a população”, disse o Presidente do Sindicato Rural de Canarana, Alex Wisch. “A única coisa que pedimos é para que as pessoas não deixem de comer carne, e esvaziem suas contas do Bradesco” disse.

Também há relatos de atos organizados em cidades como Mirassol do Oeste – MT, Ribeirão Preto – SP, Araguaína – TO, Presidente Prudente – SP e Uberlândia – MG.

A tréplica do Bradesco

Nesta segunda-feira (27.12), o banco afirmou em nota assinada pelo próprio CEO do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, que a posição relatada no vídeo “não representa esta casa em relação ao consumo de carne bovina {…} e que diante do ocorrido, medidas foram imediatamente tomadas, incluindo a remoção do vídeo do ambiente público e, além disso, ações administrativas internas severas”.

A nota finaliza dizendo que a instituição lamenta pelo ocorrido e reforça mais uma vez a crença irrestrita na agropecuária brasileira. Confira a Nota na íntegra:

Veja a peça publicitária que motivou os atos

Por Lavousier Machry, para a AGRNotícias.

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