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Imagine uma criação de galinhas com 130 mil animais. Imagine a quantidade de ração necessária diariamente para alimentar todas essas aves e então imagine a quantidade de dejetos que essas galinhas produzem todo dia. Em Canarana-MT, o avicultor Nelson Neuhaus investiu no reaproveitamento desses resíduos dos aviários e, hoje, transformou um problema em oportunidade de negócio.

Quem cria animais no campo sabe que os dejetos destes animais são um excelente adubo. O esterco bovino, por exemplo, já é amplamente utilizado em hortas e na formação de pastagens. O esterco de galinha, embora ainda pouco utilizado, após ser curtido, se torna um adubo orgânico rico em Nitrogênio e Fósforo e sua utilização já se mostrou eficaz no reforço da adubação em lavouras de milho, por exemplo.

O produtor Nelson é proprietário da Granja do Vale, um aviário que, até o final de 2020, terá um plantel superior a 170 mil galinhas. O foco da granja é na produção de ovos. O produtor, natural de Três de Maio – RS, chegou em Mato Grosso em 1983, e hoje se tornou referência em todo o Vale do Araguaia mato-grossense e hoje comercializa ovos até para outros estados. Nelson conta que a preocupação com a destinação dos dejetos das galinhas sempre existiu, mas que, há três anos, com a expansão do aviário e consequente aumento de volume de resíduos, fez com que ele investisse em um sistema de tratamento.

Produtor Nelson Neuhaus.

“Eu tinha um produto não desejável, que não se pode deixar em qualquer lugar pra não contaminar o solo. {…} Toda a vida tive essa preocupação, mas quando, há três anos, mudamos o sistema de criação para automatizado, vimos que os dejetos eram diferentes, mais úmidos. Nesse novo sistema, o problema aumentou. Aí a gente começou a estudar soluções”, conta o produtor, preocupado com uma situação que, se não resolvida, pode causar complicações ambientais e financeiras.

Granja do Vale em Canarana – MT.

“Já vimos isso em outras granjas, com esse problema. Tentamos chegar um pouquinho antes, antes do problema ficar muito grande. Então fomos visitar granjas no Espírito Santo, onde é bem avançado nessa área. Vimos que existem três máquinas hoje no mercado que atua com compostagem e fomos conhecer essas máquinas. Optamos por uma fabricada em Santa Catarina”, explica Nelson, que investiu quase R$ 500 mil no equipamento.

Atualmente a granja produz 250 toneladas de adubo por mês e a expectativa é que esse número chegue a 300 toneladas com a ativação de um novo galpão de aves. No processo de tratamento do esterco das galinhas, todo o dia, a máquina, alojada num galpão de 100m x 10m, recebe 10 toneladas de esterco e inicia um processo de compostagem que dura 100 dias. Ao final do período, por um sistema de esteiras, a adubo orgânico sai pronto para utilização. No processo, ainda é adicionado pó de serra (madeira), que servirá de alimento para as bactérias que realizam a compostagem.

Utilização em Lavouras

Quase todo o adubo produzido, salienta Nelson, é comercializado no próprio município, no atacado e varejo. Neste ano estão ocorrendo as primeiras vendas para outras regiões. Das 1,5 mil toneladas de adubo produzido todo ano, 100 toneladas são espalhadas em uma área onde Nelson produz milho, utilizado na fabricação da ração das galinhas. “Essa lavoura é a minha vitrine”, afirma Nelson, que explica que há um aumento de produtividade na área em que o adubo orgânico foi espalhado.

Adubo pronto para ser comercializado.

O uso do adubo orgânico não dispensa o uso de adubo químico, mas serve como complemento e auxilia na absorção do adubo químico pela planta, alerta o produtor. A distribuição pela área é realizada com esparramador de calcário, durante o período de seca da região. 

O próximo passo é investir ainda mais no processo e construir um barracão para armazenar a produção excedente. Embora o produtor acredite que, com o tempo, não haverá excedente, visto que já soube de casos de utilização do adubo orgânico a base de esterco de galinhas no reforço de adubação de lavouras de soja no Paraná, que aumentaram, com sucesso, a produtividade.

“O pessoal, mesmo aquele que não conhece o produto, às vezes vê o vizinho usar, e começa a usar também” diz Nelson. “Graças a Deus a gente conseguiu, com esse investimento, resolver nosso problema. Com essa renda a gente está quase conseguindo comprar todo o milho pra fazer a ração pra granja”, finaliza o avicultor.

Por AGRNotícias. Fotos: Janaina Neuhaus.

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